Na Ponta dos Dedos

14 de julho de 2017

Já se via a lua no alto do céu, trazendo um tom alaranjado. Clara olhava pela janela o dia que mudava no calendário com o brilho das estrelas que vinham ocupar aquele azul. Pensava que era mais uma noite sozinha naquele apartamento vazio.

O eco da sua solidão dava risada em seu silêncio.

Ela abriu um vinho, ocupou o sofá frio e entrou no mundo mágico do celular. Mergulhada naquele universo aconchegante onde quase todos são felizes, uma mensagem de um tal João fez com que o vinho ficasse mais saboroso. Clara sentiu a alegria inesperada de estar com alguém. E sem precisar muita coisa, as palavras digitadas foram como um carro que vai percorrendo o caminho, encurtando a distância.

Em poucos minutos, de desconhecidos se tornaram amigos, e em alguns goles a mais do vinho, Clara já se sentia dominada pela curiosidade e a conversa ficou tão intensa quanto a luz da lua que iluminava a pele nua de suas pernas, inebriada pelo vai e vem das mensagens.

João a cativou com sua forma direta de descrever o que estava sentindo, passo a passo, tudo que pulsava e tirava o fôlego. Não havia jogo. Clara respirava intensamente, enquanto degustava as palavras escritas por ele e escolhia num suspiro profundo suas respostas. Não havia mais tempo, nem limite, nem censura.

Não sabiam nada um do outro, mas estavam presos às sensações. Um provocava e o outro incendiava a conversa. O sofá amarelo se tornou um confidente com quem Clara dividiu os gemidos e a vontade de viver em plenitude um momento de amor e desejo com João.

Era a única coisa que tinham, e bastava. Seus nomes e seus impulsos. A cada sentença, uma reação química. E Clara e João se completaram intensamente num gozo frenético na ponta dos dedos.

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