Na pontinha dos dedos…

Pontinhos…

Na pontinha dos dedos…

De ponta cabeça…

Hoje preciso de ajuda dos “pontinhos” para escrever. Eles servem para dar dimensão aos meus pensamentos que apenas as palavras não são mais capazes de fazer. Cada pontinho é um suspiro, uma frase censurada, uma acalmada no coração que teima em bater mais rápido.

Estranho como as coisas acontecem. Num instante um certo alguém desconhecido, ou que mal se vê por aí, surge numa atmosfera de encantamento, chegando mais perto, saído do nada, ganhando espaço, vendendo sorrisos, e tornando-se relevante. Curioso…instigante…

Em algum momento da conversa falar não é o bastante, então os olhos se cruzam, paralisam. Dizem mais do que foi falado. Puxam. Atraem. É uma mistura do tempo do relógio, rápido, fugaz, com o tempo da vontade, que fez daquele instante um breve infinito. E nos olhamos mais…

E o que os olhos diziam? Ainda procuro verbos para explicar. Depois daquela troca fulminante, da cumplicidade do olhar, veio o sorriso que chama, que apela, que alcança. Mas ainda não satisfeitos, ou já sem controle de nossos sentidos, buscamos por mais sensações. E aí veio o que nos empurrou para um mundo de imaginações sem limites: o toque com a pontinha dos dedos. Singelo, inocente na sua forma externa, quem testemunhou não percebeu a faísca que trocamos naquele segundo em que as peles se tocaram. Na pontinha dos dedos…

Parecia um tsunami. Inundando o pensamento, te mostrando para mim. Me levando pra você. Derrubou a barreira imaginável do que éramos antes, apenas dois conhecidos. Nos jogou, sem nem pedir permissão, num mundo misterioso de desejo. No momento em que percebemos a força daquele toque, nos afastamos. A reação mais justa não seria essa. Mas foi um susto. Um arrepio enorme que nos empurrou pra longe um do outro. Mas em poucos minutos os olhos trocaram confidências se indagando: como pode? E então o suspiro veio ajudar. E ainda suspiramos de curiosidade…

Experimentamos o sabor da pele com o breve toque na pontinha dos dedos. E que capacidade a mente tem de tentar traduzir essa sensação! E como é incrível sentir que de meros conhecidos, passamos para uma cumplicidade no mínimo instigante, que nos devora por dentro, nos atrai e nos faz sentir uma força meio adolescente que há muito havíamos deixado de lado pelo caminhar da vida. Mas que agora é o que nos domina.

Não temos pressa. Temos todo o tempo do mundo para descobrir esse encanto. Nosso olhar paralisa o relógio. O sorriso que trocamos ao nos vermos faz com que todos à nossa volta desapareçam como num passe de mágica. Ficamos apenas nós dois. Sem pressa. E basta o seu toque, na pontinha dos dedos, para me levar para um lugar bem distante, de onde não quero voltar tão cedo.

ponta dos dedos

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2 comentários sobre “Na pontinha dos dedos…

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